18h
As características de um dos principais gêneros literários, o conto, foram debatidas na primeira sessão do Café Literário deste domingo, dia 6, na Bienal do Livro da Bahia. A mesa "A força do conto", mediada por Silvino Bastos, trouxe o escritor Ordep Serra e o professor Rinaldo de Fernandes para comentar sobre as suas experiências no universo dos contistas.
"Eu só escrevo um conto quando ele fica inevitável", comentou Ordep sobre o seu processo de escrita literária. O autor acrescentou que o conto é plástico, fluido e transgride fronteiras. "Os contistas são pressionados pela criatividade e podem usar e abusar dela na hora de redigir suas narrativas", concluiu.
Para Rinaldo de Fernandes, o problema da teoria do conto está presente na história da literatura desde o século XIX. Ele ainda listou duas fortes pecualiaridades do gênero: "A brevidade e o efeito lúdico são pontos que nos fazem reconhecê-lo facilmente", explicou.
20h
O público lotou o salão da última sessão do "Café Literário" da 10ª edição da Bienal do Livro da Bahia. Nelson Motta, Jorge Ramos e Janaína Amado foram os três ilustres convidados da mesa "Biografia: em busca de uma grande história". Os autores discutiram, entre si e com o público, sobre as particularidades no processo de escrita de uma biografia.
Nelson Motta disse que não é um biógrafo profissional e que sua proximidade com os personagens que retratou foi a grande motivadora para que escrevesse as suas obras. "Meu impulso para fazer a biografia do Tim Maia e do Glauber Rocha foi exclusivamente amoroso", afirmou categórico. Além disso, ele acredita que o leitor deve ser a grande preocupação na hora de escrever. "Você precisa transformar aqueles dados, fatos e entrevistas em algo atraente", explicou.
Na mesma perspectiva que Nelson, a autora e historiadora Janaína Amado afirmou que o autor de uma biografia deve usar todo e qualquer recurso literário no seu texto. "Um gênero como esse trata basicamente de histórias de vida, portanto, a liberdade deve tomar conta da obra", completou.
Já o jornalista Jorge Ramos escreve para que as pessoas partilhem da emoção vivida pelo personagem biografado. "Essas obras, além de tudo, têm um grande compromisso com a memória", sentenciou.
18h
No penúltimo dia da Bienal do Livro da Bahia, sábado, dia 5 de novembro, o Café Literário ficou lotado de curiosos e interessados em poesia. Com o tema "Poesia, sempre viva", a sessão contou com a participação de Antonio Brasileiro, Mariana Ianelli, Angela Vilma e José Inácio Vieira de Melo. Em debate com o público, os escritores discutiram sobre os novos caminhos trilhados pela poesia brasileira.
A internet e o consequente surgimento de blogs literários e e-books foi um dos temas polêmicos. Para Ianelli, a depender de como os blogs são utilizados, eles podem ser um suporte gratificante. "Afinal, nós escrevemos e queremos um leitor, alguém que nos ouça do outro lado. E a internet é mais um canal. O próprio e-book não é um concorrente para o livro", contabiliza ela. Esquentando o debate, Brasileiro diz que "os blogs podem até popularizar a poesia, mas é uma leitura rápida demais".
Sobre a onda de poetas novos, o consenso é geral sobre o aumento dos escritores interessados em escrever poemas. Mas os debatedores observam que primeiro é preciso entender o que é poesia e o que não é. "Poesia é forma; tem um artesanato na produção do texto. Ou seja, nem tudo deve ou pode ser dito através da poesia, uma vez que existem outras formas", pondera Brasileiro. Mas Ianelli rebate dizendo que não podemos nos prender ao formalismo pelo formalismo. "É preciso ter um meio termo entre sentimento e forma. O sentimento tem que ser burilado, claro, mas ele tem que existir - o texto tem que ter alma", pondera Ianelli.
20h
História e ficção estiveram mais próximas do que nunca na segunda sessão do "Café Literário" deste sábado. O autor Márcio Souza esteve na mesa "Quando a história vira ficção", junto com a professora e dramaturga Cleise Mendes, falando sobre as doses de realidade e criação no momento de escrever uma narrativa histórica. Os debates foram mediados pelo escritor baiano Aleilton Fonseca.
Márcio, autor de romances de fundo histórico como "Mad Maria", obra inspiradora da minissérie homônima, acredita que é uma grande responsabilidade escrever livros desse gênero. "É uma reflexão sobre o acontecimento histórico. É como uma peça de teatro: existe o figurino, a maquiagem e a cenografia de outro tempo, mas você está dialogando com uma plateia do século XXI", explicou.
O escritor também pontua os problemas de se dedicar a escrita de obras históricas. "É um trabalho enorme porque os arquivos do nosso país estão muito bagunçados ou não existem", lamentou.
Já Cleise Mendes, autora de textos teatrais como "Joana D'arc", costuma levar em conta o conhecimento prévio do leitor sobre a história que está sendo contada. "Os fatos históricos oferecem material para a dramaturgia, mas sempre para pensar o mundo hoje", afirmou.
18h
O público que circulava pela Bienal do Livro nesta sexta encheu as mesas da primeira sessão do Café Literário em busca dos debates acerca da realidade da "Crítica Literária" no Brasil. A mesa, mediada pela ensaísta Cássia Lopes, trouxe para o centro da roda de conversas as diferentes opiniões do escritor Luis Augusto Fischer e da professora Evelina Hoisel.
Segundo Fischer, gaúcho e estudioso de Nelson Rodrigues, a academia passou a ser o lugar da crítica literária brasileira. "Na década de 70, quando as carreiras começaram a ter pós-graduação, a crítica passou a ser feita na Universidade e não nos jornais", explicou. No entanto, de acordo com ele, nos anos 80 e 90 o computador e a internet atropelaram tudo. "Quase na mesma hora que profissionalizamos a crítica, a literatura foi pulverizada. Ela está em toda parte e a qualquer momento", completou.
A extinção dos cadernos de cultura dos jornais impressos é vista como uma grande perda por Evelina Hoisel. "É um dano irreparável, pois esses canais entre o crítico e o público precisam existir. A internet pode ser um aliado, mas dispersa, dilui a posição do crítico", lamenta a professora.
20h
A literatura está no cotidiano das pessoas? Essa foi a pergunta norteadora dos bate-papos da segunda sessão do Café Literário desta sexta, que trouxe a jornalista Denny Fingergut como mediadora. Os autores Márcio Matos e Marcos Ribeiro tiveram a companhia do doutor em literatura comparada, Antônio Carlos Viana, na mesa intitulada "Literatura e Cotidiano".
O escritor nascido no interior na Bahia, Marcos Ribeiro, acredita que o cotidiano das pessoas está marcado pela imagem e pela música, mas pouco pelos livros. Márcio Matos concorda. Para ele, o livro vem desempenhando um papel acessório, mesmo em sociedades letradas. "Vivemos numa época em que o livro é entronizado, mas poucas pessoas de fato inserem a literatura no seu dia a dia", opinou.
Na direção contrária está o professor Antônio Viana. "Eu acredito que, nos últimos 15 anos, há uma movimentação muito grande em torno da leitura", comentou. Ele, que começou a ler por conta da proibição, contou que "O Tempo e o Vento", de Érico Veríssimo, introduziu definitivamente a leitura como hábito diário.
20h
O jornalismo literário foi a grande estrela do Café Literário desta quinta, às 20h. O escritor e jornalista Eliéser César mediou a mesa temática que contou com a presença do professor Edvaldo Pereira Lima e a jornalista Aline D'eça. A união entre as linguagens jornalística e literária foi o foco das discussões entre debatedores e público.
O autor do livro "Jornalismo Literário para iniciantes", Edvaldo Lima, acredita que o princípio desse gênero jornalístico é a articulação do bom texto com relatos do real para o leitor. "A realidade do mundo não é feita só de fatos. Os acontecimentos ao nosso redor estão cheios de emoção e subjetividade, e isso não deve ser omitido", opinou. Para ele, é preciso colocar o leitor dentro daquela situação.
A humanização da narrativa é indispensável no processo dessa escrita específica, segundo Aline D'eça. A jornalista, que recentemente lançou o livro-reportagem "Filhos do Cárcere", acrescentou que o leitor, com as detalhadas descrições, consegue estar mais próximo da realidade vivida pelo autor. "É preciso levar o leitor além do fato", concluiu.
18h
Os autores infanto-juvenis Luis Pimentel e Luiz Roberto Guedes estiveram na mesa "A infância é o meu mundo", mediada por Mônica Menezes. Os pequenos não ficaram de fora das conversas dessa sessão e também fizeram perguntas, como a jovem Carmem, 9 anos, que quis saber quando eles iniciaram a sua trajetória no universo da literatura.
Luiz Roberto Guedes respondeu que aos 12 anos, influenciado pelo seu pai, começou a escrever histórias. "Desde então, não consegui mais largar o ofício da escrita. Passo a dar voz a toda história que me interesse e o mundo das crianças me encanta", explicou o autor.
Indo na contramão, Luiz Pimentel contou que não teve muito contato com a literatura durante a sua infância. "Eu não tinha absolutamente nenhum livro na estante. A primeira obra que li foi aos 13 anos, quando entrei numa biblioteca", acrescentou. Além disso, Luiz também afirmou que é apaixonado pelo gênero literário infantil porque as crianças o comovem muito.
18h
O Café Literário dessa terça, às 18h, prestigiou os novos autores da literatura brasileira. A produção contemporânea literária foi tema da mesa "Nova geração, quem é você?", mediada por Emanuel Mirdard. As autoras Karina Rabinovitz e Ana Paula Maia foram as convidadas para colaborar nas discussões e falar um pouco das suas próprias obras.
A carioca Ana Paula Maia contou um pouco do seu universo literário e suas preferências na hora da escrita. "Nunca deixarei de abordar a relação do homem com o trabalho. Gosto de humanizar os animais e bestializar os homens", explica. A autora ainda acrescenta que suas histórias sempre versam sobre os homens e suas relações fraternais. Exemplo disso é o seu último livro "Carvão Animal", que encerra a trilogia "A Saga dos Brutos".
O trabalho poético de Karina Rabinovitz a inquieta, mas não a impede de seguir em frente. "Vivo muito angustiada com o meio em que vivo, por isso uso a poesia como minha arma", confessa. A poetisa tenta levar o seu trabalho para as ruas, banheiros públicos, pontos de ônibus ou qualquer outro lugar que permita os versos líricos circularem e gerarem intervenções na cidade. Entretanto, Karina não deixa de dar o devido valor às redes sociais e o seu potencial de difusão da nova literatura. "A utilização dos novos meios possibilita a unificação de uma geração que se consolida", conta.
20h
Cada leitor tem um processo particular de fruição literária e ninguém pode repetir o mesmo prazer ao ler uma obra. Foram essas as grandes sínteses da segunda sessão do Café Literário desta terça, às 20h, mediada por André Guerra. As contribuições vieram de grandes nomes da literatura brasileira, já que os autores Luis Eduardo Matta, Armando Avena e Fernando Vita estavam presentes.
"É muito difícil que um livro te desperte a mesma emoção que outro", declarou Fernando Vita. O escritor acredita que em todo livro há um prazer particular embutido. Sobre o deleite de apreciar a literatura, Armando Avena considerou que não há fórmula clássica e sim uma manifestação interna pessoal. "Isso depende muito mais da pessoa estar aberta a refletir sobre o que está lendo", opinou Avena.
Luis Eduardo Matta, além de ter falado sobre o prazer literário, também comentou que os jovens estão lendo cada vez mais e que todo tipo de leitura é válida para, pelo menos, iniciar a estrada literária. "Muitos dos adolescentes que começam com literatura de entretenimento acabam criando um hábito de leitura de jornais ou revistas e chegando à chamada ‘alta literatura'", concluiu.
18h
Em tempos de democratização da internet e disponibilização de conteúdo na rede, qual o futuro do livro impresso e do mercado editorial? Foi com essa pergunta que se iniciou a primeira sessão do espaço Café Literário da Bienal do Livro Bahia, nesta segunda-feira, 31 de outubro.
Mediado pela jornalista Kátia Borges, o bate-papo contou com a participação do poeta e escritor Fabrício Carpinejar, do professor Nelson Pretto e de cerca de 90 pessoas que lotaram o espaço, ouvindo atentas e interagindo com os convidados do evento.
Defensores de novos suportes e da popularização da literatura, os autores afirmaram que não acreditam na extinção das versões impressas e, sim, em uma nova configuração do item na sociedade. "Antigamente a desculpa para não ler era a falta de tempo. Hoje em dia, é possível ter acesso a obras inteiras nas telas do computador, do celular e de diversos outros dispositivos. Agora, a leitura está disponível a todo momento e nunca se leu tanto quanto atualmente", afirmou Carpinejar.
"O livro impresso tem esse caráter fetichista, né? Em outros tempos, a biblioteca era um lugar de silêncio e o livro era sagrado. Não podia dobrar, não podia amassar e isso trazia até medo ao momento da leitura. É interessante esse movimento de dessacralização", explicou o autor.
Já Nelson Pretto, autor do livro "Escritos sobre educação, comunicação e cultura", acredita que os livros continuarão nas estantes e nas feiras de livro, mas aponta como entrave o alto valor cobrado pela produção de cultura no país. "CD é caro, teatro é caro e livro é caro. O que precisa é investir em uma política de direitos autorais e hardware livre, para que os livros produzidos para a internet possam ser lidos em todos os suportes", decretou Pretto.
Sobre um possível movimento de nostalgia e retorno à leitura no livro em alguns anos, Nelson Pretto decreta: "Existe a nostalgia do livro por que nós aprendemos a ler deste jeito. Com as crianças isso não vai se repetir. Elas aprendem a ler nas telas", encerrou.
18h
O cruzamento de linguagens, a qualidade e fidelidade das adaptações, os laços que unem e os recursos que separam literatura e cinema foram alguns dos temas discutidos na primeira mesa do Café Literário neste domingo, 30, terceiro dia da Bienal do Livro da Bahia. Maria Esther Maciel, escritora e professora de Teoria da Literatura e Literatura Comparada da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Marinyze Prates, Doutora em Comunicação e Cultura Contemporânea, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), compuseram a mesa e discutiram o tema "O livro vai ao cinema", mediado por Roberto Duarte, roteirista e doutorando em comunicação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Marinyze lembrou que os laços entre literatura e cinema começaram cedo, antes mesmo dos autores conhecerem o cinematógrafo e que até 1930 a literatura era o único espaço de construção de imagem. Também lembrou que o escritor modernista Oswald de Andrade foi o primeiro autor brasileiro a incorporar recursos do cinema em suas obras literárias, no livro "Marco Zero", seguido por Mario de Andrade.
Maria Esther falou que a relação entre literatura e cinema é uma via de mão dupla e afirmou que todo cineasta que adapta uma obra é coautor dela. O público participou ativamente, fazendo perguntas sobre as dificuldades de adaptação de uma obra e a fidelidade das recriações. Maria Esther e Marinyze afirmaram que não existe uma adaptação e sim uma recriação das obras e a dificuldade depende da interpretação de cada leitor. Quanto à fidelidade, afirmaram que é impossível manter a fidelidade de uma obra, pois todo leitor tem papel ativo na construção de um livro e carrega sua própria bagagem cultural e emocional, por isso constrói sua própria interpretação.
Para finalizar, contaram a história de uma lenda dizendo que Brigitte Bardot encomendou um retrato pessoal a Pablo Picasso e quando recebeu a obra, criticou afirmando não ser a imagem dela. Picasso então respondeu: "Se quer ver o mar azul, então olhe pela janela".
20h
"É o leitor que faz o escritor", assim declarou Cristovão Tezza, escritor e um dos componentes da mesa da segunda sessão do "Café Literário" deste domingo. A temática da mesa mediada por Luis Antônio Cajazeiras Ramos era "Minha biblioteca afetiva" e, além de Cristovão, contou com a presença da crítica literária Gerana Damulakis. O público interessado em saber quais eram as obras que compunham as principais referências pessoais dos participantes das discussões lotou o salão do Café.
Monteiro Lobato foi o primeiro autor a fazer parte do acervo de Cristovão Tezza. Apesar de não ser muito afeito a leitura quando novo, o livro "A Chave do Tamanho" acabou ganhando a atenção do menino. "Quando criança, eu preferia carrinhos a livros, mas o Monteiro acabou me conquistando", confessou. Já Gerana Damulakis teve sua definitiva inserção no ambiente literário com José Lins do Rego e sua obra "Pedra Bonita". "Quando terminei de ler a última página e fechei o livro, eu tive a certeza de que queria trabalhar com literatura. Além disso, confirmei que esse era o maior prazer solitário que alguém poderia ter", completou a também autoria.
18h
No segundo dia da programação do Café Literário, durante a Bienal do Livro da Bahia, as discussões da primeira sessão giraram em torno do protagonismo da região Nordeste no romance brasileiro. De acordo com Ronaldo Correia de Brito, escritor cearense autor de “Galiléia”, o romance moderno brasileiro foi inaugurado por “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, um nordestino do interior de Alagoas. Também participando da mesa de debates, o escritor baiano Carlos Barbosa depõe sobre sua inspiração para a literatura: “o que me motivou a escrever meu primeiro romance foi a necessidade de conhecer melhor minha própria terra”. A cultura regional, portanto, termina por impulsionar a produção literária.
Já a escritora Tércia Montenegro, também cearense, decidiu escrever um livro que simula um diário escrito por outra cearense – Raquel de Queiroz. “Usei mias crônicas e textos confessionais para entender o intimo da autora”, revela Montenegro. Para encerrar a primeira sessão do Café deste sábado, dia 29 de outubro, Ronaldo Correia de Brito ensina que, independente das influências e origens, o que faz o texto ter vida é o seu ritmo, sua musicalidade. “Um texto sem música é algo sem qualidade e difícil de ler, posto que não tem cadência”, dispara.
20h
A segunda sessão do Café Literário da Bienal do Livro da Bahia 2011, que aconteceu nesse sábado, 29, às 20h, trouxe importantes discussões sobre o mercado editorial brasileiro. A mesa mediada por Fabíola Kalil teve como tema “O ambiente literário no Brasil” com a grande contribuição dos autores e editores Rosel Soares e Carlos Eduardo de Magalhães. A situação do sistema literário contemporâneo brasileiro foi pautada e o público não ficou de fora dos debates.
Carlos Eduardo, um dos sócios da editora paulista Grua, destacou a relevância da figura do editor no circuito de produção literária do Brasil. “Por estar envolvido tanto na correção da trama e da escrita, quanto nos aspectos mais logísticos da produção do livro, eu acredito que ele seja a parte principal desse processo”, opinou. Já Rosel Soares, à frente da editora Casarão do Verbo, uma das poucas que se arriscam no mercado editorial da Bahia, acredita que é preciso incentivar de forma correta a literatura. “A gente sempre tenta pegar o bicho pelo lugar errado. Temos que aprender a como estimular a leitura nas crianças de uma forma natural”, acrescentou.
Já que o homenageado da Bienal do Livro da Bahia 2011 é Jorge Amado, nada mais justo que o prestigiado autor baiano fosse tema do primeiro Café Literário. A primeira mesa do espaço, intitulada “Jorge Amado e o mundo”, aconteceu hoje, dia 28 de outubro, às 20h, trazendo o universo do amado escritor para mais perto do público. Ana Rosa Ramos, pós-doutora em literatura comparada pela Universidade de Montreal, e Edvaldo Bérgamo, doutor pela Unesp, dois grandes especialistas em Jorge Amado, foram os colaboradores das discussões mediadas pela professora e ensaísta Rosana Patrício.
Ana Ramos destacou que o mestre Amado escreveu toda sua obra “com ênfase e paixão pelo povo”. O autor, segundo ela, fez uma classificação dos tipos que compõem a Bahia e o Brasil. “Ele não construiu uma única identidade para o baiano, os seus romances urbanos e rurais tratam da multiplicidade de faces do nosso povo”, completa a professora. Edvaldo Bérgamo, envolvido com a obra de Jorge Amado há 20 anos, acredita que os livros do escritor ajudaram aos brasileiros a se descobrirem enquanto nação. “O que está na obra dele, mesmo que escrito nos anos 30, reflete a realidade de um país que não mudou tanto”, finalizou.
O público não ficou de fora e colaborou com perguntas sobre as adaptações televisivas e cinematográficas das obras de Jorge Amado, bem como a importância da internacionalização e do engajamento na produção literária do escritor.